Sonhar é bom, ruim é criar expectativas.
Costumamos fazer pré-julgamentos, pré-conceitos, sem conhecer. Isto se dá tanto com a prova de uma fruta estranha, quanto com a apresentação de uma pessoa nova.
Seja pela aparência, pela forma de se expressar ou, o que não é incomum, por termos ouvido alguém fazer algum juízo anterior, já somos levados a avaliar e rotular alguém. Tem para todos os gostos, existem os modestos, os simplórios, os estranhos, os exóticos, os bonitos, os inteligentes, os gordos, os expertos, os ignorantes, os fanáticos, os rebeldes, os insanos, os céticos, os crentes, os enjeitados, os excluídos, os abonados, os desafortunados. São infinitos rótulos, infinitas adjetivações. Basta colocar o sujeito na frente e o adjetivo ao lado e pronto, a pessoa é resumida àquilo.
Quem cria expectativas somente vendo o verniz está sujeito a uma decepção logo adiante. Aliás, criar expectativas é algo muito subjetivo, existe só na mente de quem cria. Por exemplo, encontrar alguém e imaginar que aquela pessoa é um ser perfeito, que só fará com que eu me realize e me sinta bem ao seu lado, sem nunca cometer erros que me decepcionem, convenhamos, é utopia. A chance de frustração é de 99,9%.
O mundo é mais simples que isto. As pessoas são um conjunto de possibilidades que às vezes elas mesmas desconhecem. Tem gente que só é honesto por falta de oportunidade de ser corrupto. Tem gente que é bondoso por pura vaidade. Tem gente que cuida do visual, mas preferia andar de havaianas. Tem gente que bebe coca-cola e arrota champanhe francês. Tem gente que é caridoso, mas não divulga. Tem gente que demonstra o amor pelos outros todo dia de forma anônima. E o mais verdadeiro é que tem gente que é tudo isso junto, dependendo do tempo e do espaço.
Não vamos deixar de acreditar no ser humano em razão destas reflexões, mas não custa nada confiar-desconfiando, pois normalmente nos decepcionamos mais quando amamos ilimitadamente, colocando o ser amado em um pedestal, como se santo fosse. E, cá pra nós, santos não existem no mundo real e, até mesmo aqueles que foram santificados, foi só depois de mortos e via um processo demorado de canonização.





